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2018-08-07 11:24:53

Uma sociedade empreendedora e sustentável

Estávamos em 1987 quando a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento publicou o Relatório Brundtland, também conhecido como "Our common Future". Neste documento, há uma frase que salta à vista: "A Humanidade tem a capacidade de se desenvolver sustentavelmente, assegurando a satisfação das necessidades presentes, sem comprometer as necessidades das futuras gerações.". Em pleno século XXI não é possível ignorar esta definição. Mais do que um conceito, é hoje uma filosofia de gestão que deverá fazer parte de todas as organizações e, particularmente, daquelas que pertencem ao terceiro setor - tipicamente subsidiárias do Estado e muito dependentes da comparticipação de outras entidades.

 

Mais de 55 mil entidades, 260 mil trabalhadores, cerca, de 5,5% do emprego total remunerado e um contributo de 3,8% para o Produto Interno Bruto, é o estado da arte da economia social em Portugal. Uma economia que se distingue das outras pelo reinvestimento dos excedentes e pela sua enorme relevância social. Na mente de qualquer empreendedor é um Mundo de oportunidades e desafios, onde se encaixa o maior de todos eles: a inovação social. No terceiro setor, os obstáculos ao desenvolvimento sustentável que mais saltam à vista passam pela redução da dependência de subsídios públicos e a diversificação das suas receitas próprias, num domínio onde a missão perante a sociedade deve ser sempre colocada em primeiro. Uma das necessidades flagrantes para as empresas e entidades deste setor passa pela profissionalização e formação dos trabalhadores, voluntários e quadros dirigentes, mas não é suficiente para o aumento da sua produtividade. É necessário procurar soluções junto da sociedade, via subcontratação de serviços e produtos e de uma ligação mais estreita com as universidades. É necessário introduzir fatores de inovação e produtividade, procurando melhores resultados no cumprimento de objetivos e sobretudo na capacitação dos grupos e públicos que são alvo da sua intervenção.

 

É aqui que entra o empreendedorismo social. De larga escala, como o projeto de Muhammad Yunus, fundador do microcrédito e Prémio Nobel da Paz em 2006, a startups e spin-offs como a Shairart, focada na divulgação da atividade de artistas emergentes, são inúmeros os exemplos de sucesso de projetos de empreendedorismo com impacto social, a nível nacional e internacional. Então, o que falta para promover mais inovação social? Olhemos para o exemplo proveniente das potências europeias, como o Reino Unido, pioneiro na criação de legislação referente às empresas sociais ou "social enterprises". Já em Portugal, este estatuto tem vindo a ser ignorado, privando o setor do acesso a um volume alargado de financiamento europeu, a que Portugal, por não ter esta figura regulamentada, não pode aceder. Por outro lado, é importante impulsionar os mecanismos de financiamento já existentes, nomeadamente os Títulos de Impacto Social, um mecanismo de pagamentos por resultados, de âmbito social, no qual as organizações respondem a problemas sociais e o Estado paga mediante a concretização de objetivos comuns.

 

Por cá, é premente despertar os jovens empreendedores, mapeando casos de sucesso e procurando uma aproximação ao tecido financiador, business angels e às instituições bancárias. A força do setor social é, acima de tudo, o espelho dos valores de uma comunidade. Essa força, por sua vez, depende da sua sustentabilidade e da sua ação transformadora junto da sociedade. E essa só pode ser garantida pela introdução de uma praxis de políticas inovadoras e empreendedoras.

 

Nuno Henrique Vieira Reis

 

Nasceu no dia 6 de abril de 1995, no concelho da Póvoa de Varzim. É estudante do Mestrado Integrado em Engenharia e Gestão Industrial, membro do Conselho Geral da Universidade do Minho e Presidente da Associação Académica da Universidade do Minho, desde janeiro de 2018.


Artigo de opinião elaborado no âmbito da revista Get Started Nº3 | Projeto LIFTOFF

 

Não é autorizada a reprodução, total ou parcial, do conteúdo sem prévia autorização do autor e do LIFTOFF.


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2018-07-31 12:42:13

Startup Voucher 2018

Startup Voucher é uma da medidas da Startup Portugal - Estratégia Nacional para o Empreendedorismo, que visa promover o desenvolvimento de projetos empresariais, por parte de jovens entre os 18 e os 35 anos, através de um conjunto de tipologias de apoio específicas, articuladas entre si e disponibilizadas ao longo do desenvolvimento de projetos empresariais que se encontrem em fase de ideia.

 

As tipologias de apoio são as seguintes:


a) Bolsa - valor mensal atribuído por promotor para o desenvolvimento empresarial;

b) Mentoria - acesso a uma rede de mentores que forneçam orientação aos promotores;

c) Acompanhamento do projeto - por parte de entidade acreditada;

d) Prémio de avaliação intermédia - atribuição de prémios aos projetos que obtenham avaliação intercalar positiva em função do cumprimento dos objetivos de cada fase;

e) Prémio de concretização - atribuição de um prémio à concretizaçãp do projeto empresarial através da criação de empresa com a constituição de sociedade comercial.

 

Critérios de elegibilidade para os bolseiros:


1. Pelo menos 1 dos promotores da ideia deve obdecer às seguintes condições:

a) Ter uma idade compreendida entre os 18 e os 35 anos;

b) Ter nacionalidade portuguesa ou residir em Portugal;

c) Não se encontrar a beneficiar de uma bolsa para os mesmos fins e não possuir outra fonte de rendimento;

d) Não possuir uma empresa já constituida.

 

Critérios de elegibilidade para os projetos:


a) Projetos de empreendedorismo qualificado que contribuam para a alteração do perfil produtivo da economia com a criação de empresas dotadas por recursos humanos qualificados, que desenvovlvam atividades em setores com fortes dinâmicas de crescimento e/ou setores com maior intensidade de tecnologia e conhecimento, ou que valorizem a aplicação de resultados de I&D na produção de novos bens e serviços;

 

b) Projetos de empreendedorismo criativo que incluam as atividades das indústrias culturais e criativas, que fazem da utilização da criatividade, do conhecimento cultural e da propriedade intelectual, os recursos para produzir bens e serviços transacionáveis e internacionalizáveis com significados social e cultural como sejam as artes performativas e visuais, o património cultural, o artesanato o cinema, a rádio, a televisão, a música, a edição o software educacional e de entretenimento e outro software e serviços de informática, os novos media, a arquitetura, o design, a moda e a publicidade. 

 

Ainda tens dúvidas?! Podes aceder a mais informações AQUI e AQUI.

 

LIFTOFF como entidade acreditada, pode ajudar-te com o esclarecimento de dúvidas e no processo de candidatura! Os empreendedores interessados deverão contactar-nos através do email: liftoff@aaum.pt ou 253601991


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2018-07-30 16:48:42

Fórmula secreta para um negócio de sucesso

Abraçar um projeto de empreendedorismo pode em alguns casos equiparar-se a um mergulho em profundidade. Requer coragem e autoconfiança para dar um passo no desconhecido com um maior ou menor conhecimento técnico ou experiência. Estas são apenas algumas das muitas características de um empreendedor que incluem persistência, pro-atividade, criatividade, motivação, paixão, visão, liderança e determinação, entre outras. Um "mergulho" bem-sucedido encerra a promessa de atingir um novo mundo, com diferentes perspetivas e opções. Contudo, o percurso é sinuoso e os imprevistos frequentes. O sucesso não é garantido e quanto mais cedo ocorrem falhas e erros, mais cedo se corrige a trajetória com significativos ganhos económicos e pessoais. Não há muitos relatos de viva voz de empresas tecnológicas que falharam em Portugal, não porque estejam garantidas todas as condições para o sucesso, mas sim porque a falha é culturalmente "inaceitável" e, portanto, não se partilham estas experiências. Num projeto de empreendedorismo falhar faz parte do processo de aprendizagem e é essencial para a sua evolução, pelo que as falhas devem ser criticamente analisadas, mas nunca rotuladas nem julgadas. O ecossistema de inovação, que inclui diferentes atores tais como empreendedores, mentores, investigadores, académicos, especialistas em propriedade intelectual e comercialização de tecnologia, investidores, entre outros, tem um papel crucial na preparação dos futuros empreendedores e na partilha destes sucessos e insucessos.

 

Mas afinal quais são as principais causas de falha das empresas tecnológicas? Surpreendentemente, ignorar os clientes e as suas necessidades ocupa o primeiro lugar da lista, enquanto que, o não existir uma real necessidade por parte do mercado ocupa o segundo lugar. Estas falhas revelam o hiato entre a perceção que a empresa tem do mundo real e a realidade. É  comum encontrar estas situações em tecnologia, esquecendo-se de analisar o mercado e ouvir a "voz do cliente". O terceiro lugar no ranking das causas de falha das empresas é ocupado pela equipa. Quando esta não se complementa, não tem motivação, tem elementos em part-time, não tem um pivot forte (rosto da empresa), ou é disfuncional, dificilmente a empresas chegará a bom porto. Outras causas comuns incluem marketing desapropriado, timing incorreto para entrada do produto/processo ou serviço no mercado, preço desadequado concorrência, má localização, má gestão financeira, modelo de negócio inadequado, falta de financiamento, produto/processo ou serviço de má qualidade, rede de contactos mal explorada, perda de foco e esgotamento.

 

Haverá então uma fórmula secreta para um negócio de sucesso? Infelizmente não, caso contrário não existiriam projetos falhados. Existem, porém, algumas orientações que permitem minimizar o risco envolvido. Uma boa ideia não chega, mas é o primeiro passo. Depois, é preciso explorar como a comercializar. Para isso, é preciso analisar questões de propriedade intelectual e restrições regulamentares, analisar o mercado, definir um bom modelo de negócio e saber fazer contas, ou seja, fazer uma análise financeira realista. Antes de avançar com a criação da empresa, é importante garantir que alguém está interessado em comprar o produto/processo ou serviço. Os potenciais interessados devem ser chamados a testar a proposta de valor e se possível validar um protótipo. É ainda crucial encontrar a "equipa certa" que não deve ser a equipa dos amigos de noitadas ou dos grupos de trabalho da universidade, mas sim uma equipa complementar em que todos os elementos representam uma mais valia para o projeto. Adicionalmente, manter o foco e resistir à tentação de enveredar por caminhos com um retorno mais imediato são boas medidas para rentabilizar recursos geralmente limitados no início destes projetos. Um projeto focado e realista está mais bem posicionado para angariar financiamento.

 

Em conclusão, apesar de também ser preciso uma pitada de sorte nesta fórmula, não se pode deixar ao acaso a garantia de que os quatro pilares essenciais para um negócio de sucesso, ou seja, a ideia, a equipa, o mercado e a gestão, estão presentes.

 

 

Lígia R. Rodrigues


É Professora Auxiliar com agregação na Universidade do Minho. Doutorou-se em Engenharia Química e Biológica (2005) pela UM e desde então tem vindo a desenvolver a sua investigação nas áreas da biologia sintética, biotecnologia alimentar e industrial, diagnóstico e prevenção do cancro em colaboração com vários laboratórios internacionais. É responsável pela gestão de vários projetos de investigação com financiamento público e privado. Publicou mais de 100 artigos em revistas científicas internacionais com arbitragem pelos pares (índice H = 32). Está envolvida na lecionação de unidades curriculares de inovação e empreendedorismo em vários ciclos de estudo. Adicionalmente, tem estado envolvida na criação de várias Spin-Off na área das Ciências da Vida.


Artigo de opinião elaborado no âmbito da revista Get Started Nº3 | Projeto LIFTOFF

 

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2018-07-23 16:38:33

A era do “entrepreneurial boom”

O empreendedorismo deixou de estar na moda para ser a moda. Nos últimos anos, assistimos a uma erupção de summits, meetups conferences, sobretudo na área das IoT. São dezenas os programas e concursos para empreendedores a decorrer neste momento em Portugal. Vivemos na era do "enterpreneurial boom" e das ideias de negócio disruptivas, da artificial intelligence e do machine learning, das cryptocurrencies e do blockchain.


No início deste ano, a Forbes considerou Portugal como "o novo destino" para investir. Temos mar, sol e talento qualificado (principalmente no que diz respeito a software developers). Temos atraído grandes empresas, como o recentemente anunciado centro de desenvolvimento Android da Google.

 

Acredito, verdadeiramente, que somos um país de fazedores, mas ainda falta fazer muito. É necessário (re)pensar e trabalhar toda esta tendência, de forma a tirar o máximo partido desta vaga empreendedora. temos de deixar de comparar o ecossistema de empreendedorismo nacional a ecossistemas como Silicon Valley, Berlim ou Londres. Não porque somos piores, não porque somos melhores, mas porque é impossível comparar ecossistemas com características populacionais, culturais, governativas e económicas tão diferentes.

 

Em Portugal, as aceleradoras de startups tem tido um papel importante, proporcionando aos empreendedores um vasto conjunto de ferramentas e mentoria no desenvolvimento dos projetos. O sistema governativo tem trabalhado afincadamente em programas de apoio ao empreendedorismo (exemplo do trabalho feito pela secretaria de Estado da Indústria ou das iniciativas promovidas pela Startup Portugal e os seus stakeholders). O startup visa veio para ficar e tem funcionado como veículo de entrada para empreendedores estrangeiros.

 

Este ano foram já criadas mais de 20.000 empresas (um número superior ao período homólogo de 2017). Mas observando com mais atenção, vemos que este número é inferior à soma das dissoluções e insolvências de empresas, que este ano conta já com um número superior a 23.000. Esta simples comparação, chama a atenção para o facto de ainda haver um longo caminho a percorrer: não precisamos apenas que os empreendedores consigam "surfar" esta vaga, é necessário trabalhar também para que os empreendedores se mantenham na crista da onda.

 

É nesse sentido, que programas de apoio ao empreendedorismo devem ser otimizados de forma a canalizar esforços (humanos, técnicos e financeiros) para alavancar projetos que desenvolvem soluções/produtos/serviços capazes de resolver problemas atuais, reais e objetivos, contribuindo desta forma para a redução de uma das principais causas de insucesso das startups: a falta de mercado para o seu produto/serviço.

 

O elevado número de empresas criadas nos últimos anos não representa, por si só, o ecossistema de empreendedorismo nacional. Até porque é necessário olhar também para as grandes empresas - muitas delas no mercado há muitos anos - e que se conseguiram adaptar ao futuro, arrojar e inovar. Não podemos esquecer também de que muita da inovação tem origem no match entre grandes empresas e startups.

 

Um investidor de Braga escreve noutro artigo desta revista sobre a ideia de que empreendedorismo não é só criar empresas. Realça ainda o facto da "movida intra-empreendedora" (...) que se vive atualmente ainda não ser "suficientemente potenciadora do crescimento das empresas (...)". Concordando a 100% com esta ideia, considero que temos falta daquilo a que nos livros de gestão são denominados de intrapreneurs. Uma das respostas para este desafio poderá começar logo a montante, no estímulo da relação universidades/centros de investigação/grandes empresas/indústria - atores que, na minha opinião, são indissociáveis. Este matchmaking é cada vez mais importante, até porque uma das melhores formas de ajudar os alunos a entrar no mercado de trabalho pode passar por estimular os mesmos a investigar/estudar/resolver in loco desafios concretos e efetivos das grandes empresas.

 

Na era do "entrepreneurial boom" vamos manter-nos na crista da onda?

 

 

Rui Pinheiro 

 

É dinamizador de eventos na área da empregabilidade e empreendedorismo. Criador do blog O Empreendedor Bracarense. Tem vasta experiência como orador em programas de empreendedorismo e pré-aceleração de ideias de negócio. Atualmente, é o responsável pelas parcerias e produção de eventos na aceleradora de startups Startup Braga.

 

Artigo de opinião elaborado no âmbito da revista Get Started Nº3 | Projeto LIFTOFF

 

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2018-07-19 17:43:54

Candidaturas Abertas à Primeira Call for MVP

Estão abertas as candidaturas à Call For MVP (Mínimo Produto Viável). A iniciativa possibilita o acesso a investimento de capital de risco para projetos inovadores de tecnologias, produtos ou serviços que prevejam a valorização de um MVP e a sua comercialização no mercado global.

 

A fase de candidaturas dos projetos à Call For MVP decorre entre os dias 9 de Julho e 1 de Outubro de 2018. Serão elegíveis para investimento projetos nas áreas de Digital (Enterprise, Security, Networks, Artificial Intelligence, AR/VR, Marketplaces) e Engineering & Manufacturing (New Materials, Electronics, Robotics, Cleantech, Agrotech, SeaTech).

 

Em termos de timeline, a Portugal Ventures compromete-se a avaliar os projetos em fase de pre-screening, até 10 dias após a submissão da candidatura online.

 

A Portugal Ventures investe em projetos inovadores, assentes em conhecimento específico e orientados para o mercado global, promovendo assim a valorização económica da ciência e da tecnologia nacional.

 

Saiba mais www.poertugalventures.pt ou em https://www.portugalventures.pt/call-mvp

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