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2018-07-30 16:48:42

Fórmula secreta para um negócio de sucesso

Abraçar um projeto de empreendedorismo pode em alguns casos equiparar-se a um mergulho em profundidade. Requer coragem e autoconfiança para dar um passo no desconhecido com um maior ou menor conhecimento técnico ou experiência. Estas são apenas algumas das muitas características de um empreendedor que incluem persistência, pro-atividade, criatividade, motivação, paixão, visão, liderança e determinação, entre outras. Um "mergulho" bem-sucedido encerra a promessa de atingir um novo mundo, com diferentes perspetivas e opções. Contudo, o percurso é sinuoso e os imprevistos frequentes. O sucesso não é garantido e quanto mais cedo ocorrem falhas e erros, mais cedo se corrige a trajetória com significativos ganhos económicos e pessoais. Não há muitos relatos de viva voz de empresas tecnológicas que falharam em Portugal, não porque estejam garantidas todas as condições para o sucesso, mas sim porque a falha é culturalmente "inaceitável" e, portanto, não se partilham estas experiências. Num projeto de empreendedorismo falhar faz parte do processo de aprendizagem e é essencial para a sua evolução, pelo que as falhas devem ser criticamente analisadas, mas nunca rotuladas nem julgadas. O ecossistema de inovação, que inclui diferentes atores tais como empreendedores, mentores, investigadores, académicos, especialistas em propriedade intelectual e comercialização de tecnologia, investidores, entre outros, tem um papel crucial na preparação dos futuros empreendedores e na partilha destes sucessos e insucessos.

 

Mas afinal quais são as principais causas de falha das empresas tecnológicas? Surpreendentemente, ignorar os clientes e as suas necessidades ocupa o primeiro lugar da lista, enquanto que, o não existir uma real necessidade por parte do mercado ocupa o segundo lugar. Estas falhas revelam o hiato entre a perceção que a empresa tem do mundo real e a realidade. É  comum encontrar estas situações em tecnologia, esquecendo-se de analisar o mercado e ouvir a "voz do cliente". O terceiro lugar no ranking das causas de falha das empresas é ocupado pela equipa. Quando esta não se complementa, não tem motivação, tem elementos em part-time, não tem um pivot forte (rosto da empresa), ou é disfuncional, dificilmente a empresas chegará a bom porto. Outras causas comuns incluem marketing desapropriado, timing incorreto para entrada do produto/processo ou serviço no mercado, preço desadequado concorrência, má localização, má gestão financeira, modelo de negócio inadequado, falta de financiamento, produto/processo ou serviço de má qualidade, rede de contactos mal explorada, perda de foco e esgotamento.

 

Haverá então uma fórmula secreta para um negócio de sucesso? Infelizmente não, caso contrário não existiriam projetos falhados. Existem, porém, algumas orientações que permitem minimizar o risco envolvido. Uma boa ideia não chega, mas é o primeiro passo. Depois, é preciso explorar como a comercializar. Para isso, é preciso analisar questões de propriedade intelectual e restrições regulamentares, analisar o mercado, definir um bom modelo de negócio e saber fazer contas, ou seja, fazer uma análise financeira realista. Antes de avançar com a criação da empresa, é importante garantir que alguém está interessado em comprar o produto/processo ou serviço. Os potenciais interessados devem ser chamados a testar a proposta de valor e se possível validar um protótipo. É ainda crucial encontrar a "equipa certa" que não deve ser a equipa dos amigos de noitadas ou dos grupos de trabalho da universidade, mas sim uma equipa complementar em que todos os elementos representam uma mais valia para o projeto. Adicionalmente, manter o foco e resistir à tentação de enveredar por caminhos com um retorno mais imediato são boas medidas para rentabilizar recursos geralmente limitados no início destes projetos. Um projeto focado e realista está mais bem posicionado para angariar financiamento.

 

Em conclusão, apesar de também ser preciso uma pitada de sorte nesta fórmula, não se pode deixar ao acaso a garantia de que os quatro pilares essenciais para um negócio de sucesso, ou seja, a ideia, a equipa, o mercado e a gestão, estão presentes.

 

 

Lígia R. Rodrigues


É Professora Auxiliar com agregação na Universidade do Minho. Doutorou-se em Engenharia Química e Biológica (2005) pela UM e desde então tem vindo a desenvolver a sua investigação nas áreas da biologia sintética, biotecnologia alimentar e industrial, diagnóstico e prevenção do cancro em colaboração com vários laboratórios internacionais. É responsável pela gestão de vários projetos de investigação com financiamento público e privado. Publicou mais de 100 artigos em revistas científicas internacionais com arbitragem pelos pares (índice H = 32). Está envolvida na lecionação de unidades curriculares de inovação e empreendedorismo em vários ciclos de estudo. Adicionalmente, tem estado envolvida na criação de várias Spin-Off na área das Ciências da Vida.


Artigo de opinião elaborado no âmbito da revista Get Started Nº3 | Projeto LIFTOFF

 

Não é autorizada a reprodução, total ou parcial, do conteúdo sem prévia autorização do autor e do LIFTOFF.

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2018-07-23 16:38:33

A era do “entrepreneurial boom”

O empreendedorismo deixou de estar na moda para ser a moda. Nos últimos anos, assistimos a uma erupção de summits, meetups conferences, sobretudo na área das IoT. São dezenas os programas e concursos para empreendedores a decorrer neste momento em Portugal. Vivemos na era do "enterpreneurial boom" e das ideias de negócio disruptivas, da artificial intelligence e do machine learning, das cryptocurrencies e do blockchain.


No início deste ano, a Forbes considerou Portugal como "o novo destino" para investir. Temos mar, sol e talento qualificado (principalmente no que diz respeito a software developers). Temos atraído grandes empresas, como o recentemente anunciado centro de desenvolvimento Android da Google.

 

Acredito, verdadeiramente, que somos um país de fazedores, mas ainda falta fazer muito. É necessário (re)pensar e trabalhar toda esta tendência, de forma a tirar o máximo partido desta vaga empreendedora. temos de deixar de comparar o ecossistema de empreendedorismo nacional a ecossistemas como Silicon Valley, Berlim ou Londres. Não porque somos piores, não porque somos melhores, mas porque é impossível comparar ecossistemas com características populacionais, culturais, governativas e económicas tão diferentes.

 

Em Portugal, as aceleradoras de startups tem tido um papel importante, proporcionando aos empreendedores um vasto conjunto de ferramentas e mentoria no desenvolvimento dos projetos. O sistema governativo tem trabalhado afincadamente em programas de apoio ao empreendedorismo (exemplo do trabalho feito pela secretaria de Estado da Indústria ou das iniciativas promovidas pela Startup Portugal e os seus stakeholders). O startup visa veio para ficar e tem funcionado como veículo de entrada para empreendedores estrangeiros.

 

Este ano foram já criadas mais de 20.000 empresas (um número superior ao período homólogo de 2017). Mas observando com mais atenção, vemos que este número é inferior à soma das dissoluções e insolvências de empresas, que este ano conta já com um número superior a 23.000. Esta simples comparação, chama a atenção para o facto de ainda haver um longo caminho a percorrer: não precisamos apenas que os empreendedores consigam "surfar" esta vaga, é necessário trabalhar também para que os empreendedores se mantenham na crista da onda.

 

É nesse sentido, que programas de apoio ao empreendedorismo devem ser otimizados de forma a canalizar esforços (humanos, técnicos e financeiros) para alavancar projetos que desenvolvem soluções/produtos/serviços capazes de resolver problemas atuais, reais e objetivos, contribuindo desta forma para a redução de uma das principais causas de insucesso das startups: a falta de mercado para o seu produto/serviço.

 

O elevado número de empresas criadas nos últimos anos não representa, por si só, o ecossistema de empreendedorismo nacional. Até porque é necessário olhar também para as grandes empresas - muitas delas no mercado há muitos anos - e que se conseguiram adaptar ao futuro, arrojar e inovar. Não podemos esquecer também de que muita da inovação tem origem no match entre grandes empresas e startups.

 

Um investidor de Braga escreve noutro artigo desta revista sobre a ideia de que empreendedorismo não é só criar empresas. Realça ainda o facto da "movida intra-empreendedora" (...) que se vive atualmente ainda não ser "suficientemente potenciadora do crescimento das empresas (...)". Concordando a 100% com esta ideia, considero que temos falta daquilo a que nos livros de gestão são denominados de intrapreneurs. Uma das respostas para este desafio poderá começar logo a montante, no estímulo da relação universidades/centros de investigação/grandes empresas/indústria - atores que, na minha opinião, são indissociáveis. Este matchmaking é cada vez mais importante, até porque uma das melhores formas de ajudar os alunos a entrar no mercado de trabalho pode passar por estimular os mesmos a investigar/estudar/resolver in loco desafios concretos e efetivos das grandes empresas.

 

Na era do "entrepreneurial boom" vamos manter-nos na crista da onda?

 

 

Rui Pinheiro 

 

É dinamizador de eventos na área da empregabilidade e empreendedorismo. Criador do blog O Empreendedor Bracarense. Tem vasta experiência como orador em programas de empreendedorismo e pré-aceleração de ideias de negócio. Atualmente, é o responsável pelas parcerias e produção de eventos na aceleradora de startups Startup Braga.

 

Artigo de opinião elaborado no âmbito da revista Get Started Nº3 | Projeto LIFTOFF

 

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2018-07-19 17:43:54

Candidaturas Abertas à Primeira Call for MVP

Estão abertas as candidaturas à Call For MVP (Mínimo Produto Viável). A iniciativa possibilita o acesso a investimento de capital de risco para projetos inovadores de tecnologias, produtos ou serviços que prevejam a valorização de um MVP e a sua comercialização no mercado global.

 

A fase de candidaturas dos projetos à Call For MVP decorre entre os dias 9 de Julho e 1 de Outubro de 2018. Serão elegíveis para investimento projetos nas áreas de Digital (Enterprise, Security, Networks, Artificial Intelligence, AR/VR, Marketplaces) e Engineering & Manufacturing (New Materials, Electronics, Robotics, Cleantech, Agrotech, SeaTech).

 

Em termos de timeline, a Portugal Ventures compromete-se a avaliar os projetos em fase de pre-screening, até 10 dias após a submissão da candidatura online.

 

A Portugal Ventures investe em projetos inovadores, assentes em conhecimento específico e orientados para o mercado global, promovendo assim a valorização económica da ciência e da tecnologia nacional.

 

Saiba mais www.poertugalventures.pt ou em https://www.portugalventures.pt/call-mvp

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2018-07-17 15:04:29

STARTPOINT@UM - 10ª Edição - Novembro 2018

A Associação Académica da Universidade do Minho, através dos seu dois Gabinetes Técnicos - GIP e LIFTOFF - irá realizar mais uma edição da STARTPOINT@UM em Novembro de 2018. A 10ª Edição da maior feira de emprego e empreendedorismo da Universidade do Minho acontece nos dias 14 e 15 de Novembro (formato expositor para as empresas) e no dia 13, à semelhança de edições anteriores, um dia de preparação será oferecido aos participantes com vários workshops.

 

As empresas interessadas em fazer pré-incrição para os dias de exposição de empresas poderão demonstrar interesse através do preenchimento do seguinte formulário: http://liftoff.aaum.pt/index.php/formacao/view/id/312

Este evento é aberto a toda a região.

Para mais informações: liftoff@aaum. pt / gip@aaum.pt

 

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2018-07-17 11:55:58

O Mundo está a mudar!

Está satisfeito com o desempenho do seu projeto empresarial?

Desenvolveu ou implementou alguma inovação na última semana? No último mês? Então e no último ano?

Que resultados obteve? Lembre-se que o não pode ser medido não pode ser gerido.

Observa outras empresas/empreendedores? O benchmarking é crucial independentemente da fase em que se encontra a sua ideia de negócio ou o seu projeto empresarial.



A imprevisibilidade é extraordinária. Não temos ideia de como será o mundo daqui a 3 anos mas queremos educar os nossos jovens para estarem prontos para o mercado de trabalho dessa altura, dedicamo-nos a pensar em produtos/serviços que gostaríamos de lançar no futuro, tentamos prever o que nos será comprado e o que será rejeitado. Independentemente de todo o contexto de incerteza em que esta se desenrola, a inovação é algo crucial e todos nós apreciamos o seu valor. "Inovar ou não Inovar?" deixou de ser uma dúvida. A verdadeira pergunta que deve colocar é "Como Inovar?".

 

Implementar novas ideias que gerem valor é inovação e este tem fortemente associado a si componente da criatividade. Até aqui talvez todos concordemos, mas será que estamos de acordo quanto ao facto de a criatividade ser tão importante como a literacia e de que devem ser tratadas ao mesmo nível? Ken Robinson - escritor, palestrante e consultor internacional em educação – defende esta ideia e acrescenta que as escolas estão a educar sem atender à capacidade criativa das pessoas. Porém, se não temos o poder de alterar o nosso sistema de ensino temos, certamente, a capacidade de incluir a criatividade e inovação nas nossas atividades.


Mas, num mundo em constante mudança, como podemos inovar?


1º Passo: Observando as tendências.

Veja em que sentido o mercado caminha, quais as preferênciais atuais dos consumidores, perante que produtos/serviços eles mostram ter maior interesse e quais as formas de comunicação e de distribuição a que são menos avessos. Só estando atento ao que o mercado lhe diz poderá identificar uma real oportunidade de mercado e inovar.


2º Passo: Mudando Mentalidades.

Estamos numa nova era - a era da criatividade - caracterizada disciplina, multidisciplinaridade, velocidade, diversidade, qualidade de recursos (humanos e não só), aprendizagem com a crítica e um pensamento global. Parece difícil de acompanhar? Talvez seja mais fácil se encarar a inovação como um desporto de equipa onde há grande colaboração. Adapte-se!


3º Passo: Sabendo contornar as regras.

Pense fora da caixa. Porque tem que fazer o que toda a concorrência faz? Só porque funciona?

 

Uma miúda estava a desenhar na aula e o professor perguntou:

- O que estás a desenhar?

- Deus.

- Mas ninguém sabe como Deus é.

- Vão saber daqui a uns minutos.

 

As crianças arriscam, não têm medo de estar erradas. Os adultos perdem esta capacidade e passam a ter medo de errar. Ainda que sem máquina do tempo, recue uns anos da sua vida e resgate o espírito mais arrojado que se perdeu no seu crescimento. 


4º Passo: Acreditanto na mudança constante.

"Tudo o que podia ser inventado já foi inventado". Charles Duell, comissário dos escritórios de patentes dos EUA, 1899.

"A TV nunca será concorrente da rádio porque as pessoas precisam de se sentar e fixar os olhos e a família americana não tem tempo para isso." NY Times, 1939.

Evite este tipo de pensamento e lembre-se sempre que "a melhor forma de prever o futuro é criando-o" (Peter Drucker).


5º Passo: Estando apto para a geração de ideias.

Como?

Procure resolver problemas de mercado, combine e recicle o que já é feito, evite que algo bom termine, elimine o impossível, não mate as ideias à nascença! Invista no brainstorming.


6º Passo: Procurando pessoas a quem Guy Kawasaki chama de almas gémeas.

Procure envolver pessoas que gostem tanto da sua ideia de negócio/projeto empresarial como você. Mas há algo em que essas pessoas devem estar a outro nível: devem ser melhores que você e isso é algo que não deve temer e muito menos evitar.

 

7º Passo: Ouvindo

Confie na sua equipa, ouça as suas deias. E se de capacidade de ouvir se fala não podemos deixar de reforçar que o cliente não tem sempre razão mas deve ser ouvido.

 

8º Passo: Tendo em conta o contexto

Atenção que o que funciona na Google pode não funcionar na sua empresa.

 

A inovação nunca é fácil, mas é sempre possível.

 

 

Joana Barbosa


Licenciada em Economia na Universidade do Minho foi também nesta entidade que conluíu o Mestrado em Economia Industrial e da Empresa. Foi com o estágio profissional no LIFTOFF - Gabinete do Empreendedor da AAUM, onde mais tarde ficou como técnia responsável, que consolidou o gosto pelo mundo do empreendedorismo. Durante muito tempo aliou este cargo à Investigação no NIPE (Núcleo de Investigação em Políticas Económicas, Escola de Economia e Gestão , Universidade o Minho) tendo anteriormente desempenhado o papel de formadora também em temáticas relacionadas com o empreendedorismo. Atualmente, a par da investigação mantém a ligação a esta área  sendo um dos elementos da equipa responsável pelo projeto Novo Rumo a Norte da Associação Empresarial de Portugal e uma das mentoras da Rede Nacional de Mentores do IAPMEI.


Artigo de opinião elaborado no âmbito da revista Get Started Nº3 | Projeto LIFTOFF

 

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